quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Desconhecidos


Esses escritos reunirão o ontem, hoje e amanhã
Escrevo, aqui, nosso fim
Meu fim
É difícil sonhar sozinho, quando se tem esperanças
Uma história criada na minha cabeça
Incompleta
Não me procure mais, nos cantos
Ecos
Ventos drásticos na prisão dos meus olhos
Que por ti choravam de alegria
Talvez eu seja a mais perfeita dúvida
Criando maturidade e, infelizmente, 
Vendo ser usado com um outro alguém
Aquelas fotos que te dei
Queime
Será que se lembrou de mim por um segundo?
Quando aprenderei a me apaixonar pela pessoa certa?

Procurei soluções para permanecer
Enganei o meu coração
Dizendo que estava tudo certo
Enquanto eu mesmo tinha dúvidas
Mas achava que estava tudo bem
E aqueles olhares?
E aqueles beijos?
Foi-se tudo, a caminho do teu futuro 
Tudo bem, viva sua vida
Siga adiante

Gosta de ser usada?
Gosta de não ter carinho?
Enfim, lamentável
Eu não posso fazer nada além de sentir pena
Agora a questão não é eu
É você
Eu tentei te mostrar
Mas você é só uma criança
E eu não quero ser mais ser o seu caçador

Estou desanimado agora
Não mais triste
Não merece mais minhas lágrimas
Vou voltando para minha caixa
Até experimentar outras dores
Talvez seja mais rápido do que você pensa
Você se achou esperta?
Achou que o mundo está aos seus pés?
Desculpe-me, meu bem, 
Mas dentro do menino apaixonado
Mora um homem de preto

Aprendi com perdas inevitáveis
Que chorar pela ignorância é perca de tempo
Todo mundo percebeu
Você não quis
Então essa será a última vez que escrevo sobre você

A minha maturidade me dizia que ia sofrer muito
A minha emoção procurava um motivo para me afastar
Por mais que te ame
Eu não mereço me machucar tanto

Por você, qualquer medo virou palhaço que faz rir
Qualquer lágrima virou sorriso
E toda confusão se tornou ainda mais confusa
Mas tudo valia a pena ser sentido

- "Dê suas armas e entregue-se a mim. Me ame pacificamente. Porque, meu bem, eu sou um soldado do amor e os meus sentimentos são os mais sinceros que você já encontrou" - Soldier of Love

Ei, preste atenção
Com cuidado
Eu era o cara que saiu dos seus sonhos
Para te dizer que o sonho sempre foi você
Esquece

Enfim, estou chegando no final
Últimas linhas de uma ilusão minha
Me desperta uma curiosidade incontrolável
Por saber como foi o seu dia
Não vou perguntar
Não preciso mais te olhar
Vai ser muito fácil te esquecer

Eu mexi em uma ferida
Encontrei uma recusa
Agora estou conformado
Vou seguir adiante
E te desejo o melhor
Com o pior
Da tua relação de conto de fadas
Curta a inexistência de afeto
Pois você não aguenta o real


Top 10 - 2014

Foram 183 filmes vistos nesse ano. Muitas perdas para o cinema, talvez a que mais doeu em mim seja a do Philip Seymour Hoffman. Enfim, separei 10 filmes, dentre os que eu assisti, como os melhores desse ano, para mim, claro.

Ela ( Estados Unidos )
Miss Violence ( Grécia )
Calvary ( Irlanda )
Magia ao Luar ( Estados Unidos )
Frank ( Irlanda )
No Tears for the Dead ( Coreia do Sul )
Ida ( Polônia )
Blind ( Holanda )

Outros bons filmes: O Grande Hotel Budapeste, O Passado, Hoje eu Quero Voltar Sozinho, Debi & Lóide 2, O Homem Duplicado, Garota Exemplar, The Taking of Deborah Logan, O Abutre, Para Sempre Alice, Lucia de B., Carvão Negro, Gelo Fino, Vidas ao Vento e O Segredo das Águas.

Adeus 2014!

Vou levar bons momentos de 2014. Profissionalmente foi um ano divisor de águas. Duas escolas, aula tanto para jovens como crianças, então surge a necessidade de uma adaptação das ideias, o tratamento, a linguagem, também são elementos que devem mudar. Isso acabou acrescentando a minha pessoa, tive atitudes que jamais esperaria de mim mesmo. Ao contrário de alguns anos, a internet ficou muito distante de mim. Até consegui manter os textos no blog, escrevi bastante poemas, mas a maioria foi escrito no "mundo real", com papel e caneta, e passado para cá. Surgiu essa vontade, vinda de experiências por quais passei e ainda passo, outras de pensamentos que me passaram pela cabeça. 

O Cronologia do Acaso vai fazer dois anos em 8 de Fevereiro de 2015, isso revela, pessoalmente, que eu o criei em um momento de transição na minha vida. E, hoje, me sinto preparado realmente, maduro, para enfrentar os outros milhões de obstáculos que virão a seguir. Em Fevereiro de 2013 ( quando criei o blog ) eu era envolto de uma depressão, melancolia acerca do meu futuro, do meu objetivo nessa vida, descrente da vida, descrente de mim... Um mês depois passei na faculdade, no começo ia para dizer que estava fazendo algo, mentindo para mim mesmo, quatro meses depois estava sendo chamado para o programa "Mais Educação", do qual eu faço arte até hoje. Enfim, tudo foi acontecendo muito depressa, ainda pude unir a tecnologia, cinema e fotografia, afim de aulas dinâmicas e reflexivas, aproximando os alunos, com todos os seus problemas pessoais, a arte. 

Bem, não quero aqui fazer um currículo, porém esses dois anos de blog, esse último ano, foi realmente transformador para mim. Estou, hoje sei disso, caminhando para algo bem grande. A grandiosidade de algumas ações, ver as crianças felizes, poder fazer a diferença, enfim, tudo enche o meu coração de muita felicidade. O Cronologia do Acaso eu uso para descarregar, emocionalmente, tudo que passo. Além de compartilhar o audiovisual, que ainda é a coisa mais importante na minha vida, sem ele não estaria aqui.

Com tudo isso acontecendo na minha vida, ainda tive tempo para ser despertado por uma paixão. Bem, ainda caminhando, nunca sabemos o que acontecerá no dia seguinte, mas valeu a pena sentir tudo. Por esse mesmo motivo, me vi obrigado a registrar o que sentia, está tudo aqui, inclusive. Minha capacidade em transformar grandes detalhes em grandes exageros, faz de mim um viciado em declarações. Assim como essa minha personalidade acaba comigo, as vezes me pego pensando que eu sou sensível demais, queria ser só um pouquinho menos, poderia fingir, mas não, quero desabafar tudo. Enfim, vou anotar isso para o próximo ano, não para mudar, mas enfim, posso usar mais tarde para dar risada comendo um biscoito.

Aprendi muito com muita gente, busquei dar o meu melhor. Provavelmente não consegui o melhor, mas sinto-me satisfeito. Esse ano realmente ficará na minha cabeça por um bom tempo e, hoje, certamente ficarei muito feliz com a vinda de 2015. Otimista, quem diria, perante o que está por vir. 

Agora, para você que lê o blog, eu agradeço muito, de alguma forma me sinto acolhido. Eu escrevo e imagino que ninguém vai ler. Ainda sou inocente em relação ao alcance da internet, mas quando alguém chega para conversar sobre algo que escrevi, ou algum filme, fico imensamente feliz. Talvez seja a real intenção de dividir tanto com vocês. Bem, eu não sei quanto tempo mais durará esse meu hobby, mas sem dúvida também é um alívio para mim, as vezes queria um profissionalismo maior, escrever apenas sobre cinema ou algo assim, não ser tão repetitivo nas minhas palavras/poemas//reflexões, porém é tudo muito espontâneo. Eu sou o tipo de cara que lê um livro com um gravador do lado, eu leio em voz alta e depois escuto. Pois preciso disso, preciso do toque, do àudio e visual, cinematografo a vida a todo momento. Tudo que sai da minha cabeça é um pouco de todo mundo, que converso, que observo, enfim, é uma batalha constante para tentar me entender em base ao outros.
Enfim, fico aqui, feliz pelo ano ótimo que se passou, tentando fazer amizade com o próximo, claro, com alguma melancolia, mas nada assustador, então acho que é normal. Bem, desejo à todos um ótimo 2015, com humildade e amor. Sem essas duas coisas, estamos fadados a amargura. Lembrem-se, você não é feliz, você está feliz, portanto busquem nos seus detalhes, motivos para sorrir, mesmo que o mundo lhe diga coisas feias e tristes, se perder, mantenha a elegância e não tenha medo de se entregar, nunca. Apresente-se mais, não se acanhe ou envergonhe. Faça o que quer fazer. Sinta o vento.

Obs: Postagem número 100

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Russian Lolita, 2007 +18

Atenção, tento aqui manter o mínimo da minha dignidade em comunicar que esse texto está repleto de humor negro. E algumas palavras chulas. Além de conter imagens de sexo. Leia somente se for maior de 60cm. No blog Cronologia do Acaso, filosofia e sacanagem andam lado a lado!



Poucos sabem, mas eu curto muito filmes eróticos. Na verdade, poucos sabem mas eu curto muitos filmes trashs e o caramba. Filmes B etc. Bem, esse é o meu lado negro da força cinematográfica. Se eu confessasse, certamente passarias horas dissertando sobre o meu fascínio pelo lado sujo da humanidade, o que também diz respeito a produções gambiarras. 

Também vejo porno, porém ainda prefiro um bom erótico. É uma dose completa. Você se esbalda com a parte erótica e ainda dá boas risadas, é o serviço completo. Quase uma prostituta. Bem, tenho para mim que essa postagem servirá para acabar com minha reputação. Mas não há amor que vença tudo sozinho, é preciso sexo. Como diria Woody Allen "O sexo alivia tensões o amor os causa". Enfim, todo bom cinéfilo tem que conhecer a sexualidade a fundo no cinema, perceber de perto as habilidades artísticas de uma atriz dando para cinquenta negros. Ou um anão pegando geral. Esses sacrifícios que nós, doentes, fazemos em prol a arte. Alguns tem que dar a cara a tapa ( Ó céus, não é justo! ) 

Bem, é muito divertido. Assim como essa "adaptação" do livro clássico "Lolita". Chamado "Russian Lolita", de 2007.

Primeiro que constar na sinopse que esse filme se baseia no livro é sacanagem, se eu escrevesse um livro foda e visse isso, eu realmente ia ficar muito puto. Brincadeira, não ia não. Mas o babaca intelectual que mora em mim disse que era importante ressaltar isso. Começamos o filme com uma mãe e a filha ( cuja personalidade nos remete a uma criança com problemas mentais ), a atriz que interpreta a filha deve ter uns 25 anos, completamente desnutrida, o que facilita na caracterização da sua personagem, a lolita, que deve representar algo em torno dos 16 anos, não sei. O problema é que a lolita é tão insuportável no filme, que eu só posso imaginar que a atriz ultrapassou os limites da idade e transformou sua personagem em uma irritante criança de 5 anos. Talvez seja uma metáfora, deve se tratar de um filme polêmico, por conter uma analogia a pedofilia ou atração por meninas insuportáveis etc.

O que acontece é que essa mãe e filha foram abandonadas pelo marido/pai e estão passado dificuldade financeira. É quando a mãe anuncia, ainda na mesa, que vai alugar o quarto para ganhar alguma grana e ainda ter a possibilidade de trepar com um estranho, claro - suspeitei que era essa a intenção desde o início. A mãe parte, então, em uma aventura com sua cola tenaz (?)... sai colando anúncio nos poste do bairro, divulgando o aluguel do quarto.

O seu corte de cabelo lembra os bons tempos de Chitãozinho e Xoxoró... ops, Xororó
Um senhor de meia idade está chegando na cidade, pega o anúncio e chega no tal lugar, já esbarrando em uma garota de patins que, meu deus, ele descobre mais tarde ser a filha da mulher que está alugando a casa. Ai, gente, coisa do destino sabe? Então.

Alguém vai pra cadeia hoje


O homem aluga o quarto e começa a ter um envolvimento sexual-agressivo-coelhinho com a mãe, porém a filha fica excita em ouvir os dois transando no quarto. Ativando o seu lado possessiva e podre, se não bastasse ela ficar bêbada bebendo o vinho do pobre moço na mesa de jantar. Imaginem uma personagem insuportável? Ela é mais. A coisa mais detestável que eu já vi na minha vida. Mas acredito ser uma grande metáfora, como disse acima. A qualidade do filme é digna de prêmios em Cannes. Inclusive a caracterização d menina é uma coisa linda de se ver, ela trabalha com o corpo fino. As vezes pega umas bonequinhas, encara elas e joga para o alto, de modo a criar uma tensão, simbolizando uma rebelião contra a sua própria idade, ela precisa ser a mãe dela. Mas em determinada cena ela finge ser escritora ( coisa que o senhor é ) e coloca a calça dele. Simbolizando também a sua falta do pai e de uma boa surra. Enfim, é pura poesia audiovisual.

Lolita enchendo a cara

Lolita refletindo sobre a vida
Depois de ver a mãe transando no quarto... gugudada
Ela começa a se oferecer, nessa cena, por exemplo, temos ela contando um sonho que teve para ele. O que realmente não interessa para ele e para nós, temos que analisar com atenção a atuação física da excelente atriz.
O buraco começa a descer mais embaixo. Literalmente. Sua sedução extrapola os limites. O filme começa a ficar mais tenso que "Seven".
Essa cena ela está tomando banho no jardim(?) e pede ajuda dele, algo bem natural hoje em dia. 
Depois temos o passeio com o triângulo amoroso no parque...
Meus caros, o filme é composto por metáforas, como eu disse, reparem o que acontece a seguir:
Sim, eles estão caminhando e o senhor passa por entre duas árvores! É impressionante essa ideia de representar as ações por meio de uma caminhada despretensiosa. É isso, ele está no meio de duas mulheres, que são ligadas por uma mesma raiz. Ele come o presente e o futuro.
Depois de muita enrolação eles fazem amor pela primeira vez. Ela sangra. Pois apesar da sua arte de seduzir, ainda era virgem. Algo parecido - e melhor - do que "Beleza Americana".
Os minutos que se seguem, é só sexo entre eles. A coreografia muda em gente? Kama Sutra foi muito útil. Só que acontece algo crucial e terrível... 
OMG!!!!!!!!
Depois do flagra, eles tem uma discussão. Os três, sobre o futuro e essas coisas banais de filmes dramáticos. A música fica alta e não ouvimos o assunto, só os gestos. Esse momento, por exemplo, parece que o cara está tocando a lolita para a sua casinha no quintal e a mãe com cara de "que merda que eu fiz".
Mas somos surpreendidos mais uma vez! Eles resolveram ficar juntos - lembra das árvores? Temos então uma esperança de que, nessa família, tudo ficará bem. A menina está cavalgando e a mãe dando o peitinho. A menina é o presente lembra? Então, o presente domina nossa necessidade. O futuro dá o leite. E eu, puta que pariu, tenho que queimar no inferno por assistir essa bosta.

Pequena


Nada está como antes
Não enxergo mais minha vida da mesma forma
Os meus desejos se renderam
A minha alma foi traída por uma chama incontrolável

Ontem conversei com a lua
Não obtive respostas
Do porquê não consigo me satisfazer
Será que estou sedado?

Olhares não me atraem
Pensamento escapa do meu controle
O controle está cansado 
Nesse momento
Sou fruto da sua imaginação doente

Eu penso em coisas banais
Para amenizar
Mas o mundo conspira contra mim
Me trazendo medos
Medo de perder
Medo de abandonar
Medo do tempo

As vezes me sinto um gigante
As vezes me sinto uma formiga
Busco um truque mágico
Que desestabilize sua fé

Tento ser fiél 
Mas não posso suportar tamanha traição 
Meu coração está machucado
Mas ele ainda sente a sua falta

Sei que errei
Em querer abraçar o mundo
Amar as pessoas é só o que faço
Já te disse
Você é diferente
Mas você precisa que eu grite isso
Então eu vou fazer
Amanhã de manhã 
Terás a sua prova

Se tudo der errado
Se o destino nos separar
Me prometa
Que nem por um segundo 
Pensará que te troquei por alguém
Pois jurei a mim mesmo não me entregar aos prazeres superfíciais
Enquanto o meu maior prazer é te fazer feliz
Minha pequena

Um dia desses, assim, por acaso
Me visite
Encontre-me na rua e veja o pedaço triste que restou
Encontre-me e se certifique
Que os danos foram reais
A flor mucha que deixei no seu travesseiro
Naquela noite chuvosa
Apareceu nos meus sonhos

Passamos por muitas experiências juntos
Criamos muito e, sendo assim, aprendemos
A arte que nos envolvia
Iluminava as minhas preces
De que, senão hoje, um dia
Encontraria alguém que pudesse me compreender

Eu não sou exatamente o que você sonhava
Um pouco egocêntrico
Bastante excêntrico
Eu sei que você queria me levar para o seu lado
Mas eu cheguei ao máximo que pude
Para te fazer companhia
Talvez por carinho
Me sacrifiquei para ser o melhor

Caminhei por entre um deserto
Vivemos uma bela história
Tínhamos o sonho de ir a Paris
Se lembra?
Talvez você vá um dia
Eu te desejo isso
Mas digo, com certeza,
Estamos perdendo dias inesquecíveis
Essa história não pode acabar em um ponto final
O universo celebra nossa união

Dias turbulentos passam
Nos manteremos fortes
Eu só queria que você prometesse
Eu só preciso te dizer,
Você me completa,
Casa comigo?

- Alô? Ei, conheci uma outra pessoa. Acabou
- Tudo bem pequena

domingo, 28 de dezembro de 2014

Sofrer por amor - Uma consequência?


Talvez eu seja a prova vida de que a maturidade não se atinge através da idade e sim da sua capacidade em extrair das experiências, sejam elas boas ou ruins, reflexões sobre o seu ser. Tudo bem que se eu chegar e dizer isso para um jovem de quinze anos, principalmente hoje em dia, ele vai dar risada da minha cara, poucos estão dispostos a entender a si próprios, penso seriamente que talvez não seja extremamente necessário, porém, alguns tem que viver com isso. Já tentei fazer de tudo para não romantizar tanto a vida, não tratar as relações como se fossem filmes ou livros, mas com o tempo percebi que isso está impregnado em mim assim como o meu amor por sofrer de amor. 

Tá, eu não curto sadomasoquismo, não leio "Cinquenta Tons de Cinza" e nem essas outras bizarrices-complexas-sexuais. Quer dizer, depende, não há um estágio que não possa piorar mais. Talvez amanhã vire um escravo sexual de uma bela asiática, poderia escrever sobre isso até, fazer um roteiro e mandar para o Tinto Brass, ou poderia virar Hentai. Acrescentaria um cavalo marinho, de forma a criar um triângulo amoroso e seria emocionante. 

Enfim, a minha imaginação é fértil e o que eu faço o dia todo é criar. Criar questionamentos e possíveis soluções, na verdade, é muito irritante, isso só ameniza quando assisto um filme ou leio um livro e me vejo sentindo o que os personagens sentem. E talvez tenha feito isso demais, ou me identificado demais. A linha é muito tênue e, honestamente, eu não sei a resposta. Porém me vejo como uma pessoa que ama o amor que dá errado. E isso talvez seja muito perigoso, eu estou tão acostumado com histórias incompletas, que vejo o amor ideal como metade de algo maior. Enfim, como se o fracasso, de algum modo, fosse estimulante. Talvez me apegue demais as lembranças, e esqueça que o hoje também é um bom dia para amar. 

As mulheres são resultados perfeitos da máquina de criação do universo. Nós, homens, somos ambiciosos ao ponto de não ser honesto em dizer que, tamanha grandiosidade, nos assusta. Talvez pelos detalhes, é tudo uma questão de detalhes. Mas me parece que o homem é o lado covarde da entrega. Seria tão bonito se o tratamento fosse dado e aceitado, fazendo jus ao que sentimos. As vezes parece que o sentimento é um monstro preso dentro do indivíduo, ele não consegue expressar tamanha beleza, fica estagnado dentro de um medo do que vem a seguir. Besteira na minha opinião! Deveríamos aceitar que o amor é compreensão e vice-versa. Talvez o amor não seja complicado, apenas criamos mentiras em torno disso. Provocamos uma ilusão aonde deveria existir apenas o outro.

A prioridade, acredito, não está em se entender, está em entender o outro. Logo depois de se entender, claro. Se ajustar aos medos do outro é muito complicado. Envolve muitas coisas, como a própria família, porém, é uma bela forma de crescer, pois lidar com sua patética vida solitária é muito fácil, ninguém te conhece melhor que você mesmo, as coisas ficam realmente interessante quando você se torna um julgado pelas atitudes, pelas demonstrações ou pequenos, volto a dizer, detalhes. Por exemplo, eu jamais escreveria um livro que só eu pudesse ler, como um diário. Pois eu sinto que preciso ser julgado pelo que penso/escrevo/sinto. Julgado no sentido interpretado. Me acho extremamente vazio quando só, quando não ouço interpretações sobre o que eu penso.

Desde a criação do "Cronologia do Acaso", há dois anos, eu mudei muito. Muita coisa aconteceu. Mas muitas coisas continuam, talvez por isso continue escrevendo. Eu me sinto maduro ao ponto de me importar com os sentimentos, mas inocente ao mesmo tempo. Há coisas dentro de mim que só se explicam com, quem sabe, o trágico. Parece que tudo bonito e perfeito não me atrai. Há algo no complicado que me fascina. Sentindo-me um pouco dominado pelo sentimento de perder. Ou afeição pelo quase. Se eu fosse um cantor, por exemplo, certamente seria um daqueles melosos. Onde toda música é sobre ser traído. Mesmo que essa não seja uma realidade na minha vida. De algum modo eu penso que, apesar de tudo bem, eu sempre foi procurar um ponto de melancolia para me inspirar. E, para ficar feliz, tenho que mesclar com risos. Ser diferente me fascina. Tentar fugir do óbvio de apenas viver é quase que uma obrigação. 

Não tem separação entre sofrer e amar. São frutos da mesma necessidade do homem, em compartilhar sua vida, mesmo que saiba que, sozinho, estará livre para fazer o que bem entender. A realização enquanto só, nunca parece completa. Cabe a nós separarmos até onde vai a imposição, feita pela sociedade, e onde começa o nosso querer. Chega um momento que é preciso amar, aquele gostinho de sofrimento faz falta. Então podemos ressaltar o quanto somos burros em amar sofrer por amar. Bem, não por acaso, estamos vivendo, então devemos nos entregar a tudo. Qualquer sentimento ou desejo que apareça, pule e pegue ou siga o seu coração. Claro, tentando entender os limites do momento. O momento fica sussurrando coisas nos nossos ouvidos, mas, em alguns casos, pode aparecer com alguma oportunidade única que, pelo medo, não conseguimos realizar. Mande o medo para merda. Uma oportunidade desperdiçada certamente dói mais do que tentar e não dar certo.

O ser humano tem mania de pensar no perfeito como para sempre. O "para sempre" é uma imposição. Você, vovó que está lendo meu texto e tá casada há 40 anos, beleza, parabéns, mas sem dúvida já traiu ou foi traída. Fisicamente e mentalmente. Existe uma traição em continuar junto, quando não há mais vontade. Conectados apenas pelo comodismo. Ok, entendo como é difícil. Quando se pensa em dois. Pensando individualmente, é lastimável imaginar alguém fadado a estar preso em uma situação. Tanto quanto dá pena imaginar alguém sozinho. Enfim, eu não quero chegar a lugar nenhum com essa reflexão. 

Só sei que há um pouco de sadomasoquismo em todos nós, seres humanos, especialistas na conquista, fracassados no amanhã, amantes da lembrança e bem sucedidos na arte do recomeço - ou deveríamos ser.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

#12 - Assisti na Semana

The Taking of Deborah Logan, 2014

Mia Medina (Michelle Ang) finalmente encontrou o tema perfeito para o filme de sua tese de doutorado sobre a Doença de Alzheimer. Nos próximos meses, as câmeras irão gravar o cotidiano de uma mãe, Deborah Logan (Jill Larson), e sua filha, Sarah (Anne Ramsay). Mas conforme os dias progridem, coisas estranhas começam a acontecer em torno de Deborah que não são compatíveis com quaisquer conclusões sobre a doença de Alzheimer. Torna-se evidente que há algo além do Alzheimer, que assumiu o controle da vida de Deborah. É um mal muito pior do que a debilitante doença com o qual ela foi diagnosticada.

Essa onda de filmes Found Footage não acaba mesmo, eu sempre vi muito potencial nessa ideia, acho interessantíssimo alguns filmes nesse estilo, porém, alguns péssimos exemplos desanimam muito. É claro que rende bastante, o custo é baixo para a realização de um filme com câmera na mão, mas para mim o que deveria prevalecer mesmo é o realismo que esses filmes são capazes de provocar e que muitas vezes é esquecido.
 The Taking of Deborah Logan talvez seja uma pequena exceção no meio de um monte de filmes ruins, isso porque ele parte de uma ideia muito presente/palpável - uma doença - e vai, aos poucos, mostrando que a própria doença é só um começo. A atuação da Jill Larson, que faz a senhora do título, é muito boa, debilitada ao extremo, causando um pequeno mal estar com tamanha entrega. Um dos melhores filmes de terror do ano.
No Tears for the Dead, 2014


Abandonado por sua mãe logo depois de imigrar para a América, Gon é criado pela máfia e cresce para se tornar um assassino de sangue frio. Assolado pela culpa por matar acidentalmente uma jovem inocente, a situação torna-se ainda mais difícil quando o seu chefe atribui a ele o trabalho de matar a mãe da jovem. Novo alvo do Gon, Mo-Kyung, uma gestora de risco em uma empresa de investimento, enterrou-se no trabalho durante seu sofrimento, e é completamente inconsciente de seu papel no centro de uma conspiração perigosa. Em seguida, ela conhece um homem que quer lhe dizer a verdade por trás da morte de sua filha.

Não é novidade para quem acompanha o blog, o meu fascínio pelo cinema Sul Coreano, tido para mim como um dos maiores do mundo. O realismo, brutalidade e simplicidade se encaixam de uma forma sublime. Jeong-beom Lee, diretor do maravilhoso, "O Homem de Lugar Nenhum" retorna em 2014 para o delírio dos fãs de filme do gênero policial, que por sinal está fazendo falta. Novamente se utiliza de uma personagem criança para traçar o destino de um homem, marcado pela morte e brutalidade, levando sensibilidade a um lobo. A menina que representa a própria redenção, se apresenta como uma entidade, que traz o desprendimento ao protagonista. No mais, o amor envolto de culpa que este tem com a mãe da garotinha é incrível. Sem dúvida um dos melhores filmes do ano.

Dois Dias, Uma Noite, 2014


Na Bélgica, Sandra (Marion Cotillard) ficou afastada do trabalho por depressão e, quando retorna, descobre que seus colegas aceitaram receber um bônus salarial no lugar de sua vaga. Agora, ela tem apenas um final de semana para fazê-los mudarem de ideia, para que ela possa manter seu emprego.

O novo filme dos irmãos Dardenne, especialistas na frieza da rotina, se sustenta em um elemento muito presente em "Rosetta", um dos seus trabalhos de maior elogios por parte da crítica, que seria o trabalho. Se em "Rosetta" a personagem se dedica exaustivamente a procura do emprego, aqui temos uma moça que, após ser derrubada pela depressão, busca se levantar através da dignidade do trabalho. Basicamente o que realmente importa é sua honra de tentar, não o resultado. Aliás, o apoio do marido, mesmo que sob desconfiança da esposa de que tudo está prestes a acabar, é interessante, pois ele surge como um motivador para ela, um porto seguro. Uma dor reprimida, se revela a cada demonstração de carinho que Sandra recebe dos colegas de trabalho, a atuação da Marion Cotillard é de assustar, desde o seu visual desleixado até o olhar, parece que está em um constante devaneio.

Susan e Jeremy - O Primeiro Amor, 1973


Jeremy tem 16 anos, vive em Nova York, é introvertido, inexperiente em questões amorosas, e ama seu violoncelo. Susan, 15 anos, nutre uma paixão sem limites pela dança clássica. Ela frequenta a mesma escola que Jeremy. Eles passam a se conhecer e descobrem-se apaixonados. O primeiro amor, os encontros, as alegrias e incertezas dessa descoberta narradas nunca simplicidade que soa desconcertante devido à sua verdade. A vida, no entanto, exige que o pai de Susan se transfira para Detroit levando-a para longe e o universo de sonhos que ambos construíam se quebra de maneira abrupta. O filme faturou o prêmio destinado aos diretores estreantes em Cannes.

Mais um filme que fala sobre a descoberta do amor e, consequentemente, a aceitação ao seu fim. O que se diferencia e, no mesmo tempo, me pareceu irritante, é o personagem do Jeremy, que é muito inseguro e bobão. A intenção, sem dúvida, era essa, mas é irritante as vezes. Mas é interessante, a trilha sonora é muito boa.

Se Eu Ficar, 2014

Mia Hall (Chloë Grace Moretz) acreditava que a decisão mais difícil que enfrentaria em sua vida seria ter que escolher entre seguir seus sonhos na escola de música Juilliard ou trilhar um caminho diferente para estar com o amor de sua vida, Adam (Jamie Blackley). Mas o que deveria ter sido um passeio despreocupado com sua família muda tudo repentinamente e agora sua própria vida está em jogo. Quando se vê entre a vida e a morte, Mia tem pela frente apenas uma decisão que irá determinar não somente seu futuro, mas também seu destino.

Esse é o típico filme que eu assiti para passar o tempo e, pasmem, curti bastante. Não só pelo fato de achar a Chloe Moretz linda, aliás, ela ainda me parece perdida em meio a pepeis pouco interessantes comparado ao seu talento, como fica claro em "Kick-Ass", por exemplo. Ou talvez eu estava sensível ao ponto de me emocionar - de leve - com essa proposta de discutir as escolhas que tomamos na vida e, ainda mais, o relacionamento com o rockeirinho, que a aceita do jeito que ela é. Tá... talvez eu tenha me identificado bastante com ele, mesmo que o seu encatamento pela arte dela acontece quase que em um piscar de olhos, me parecendo meio idiota. Acredito que seja um filme na medida do "gostosinho" para assistir em um dia de chuva, comendo pipoca e com um lenço do lado.
Homens, Mulheres e Filhos, 2014


Homens, Mulheres e Filhos conta a história de um grupo de adolescentes do ensino médio e de seus pais, que tentam lidar com a forma como a internet mudou seus relacionamentos, a comunicação, suas imagens de si mesmos e suas vidas amorosas. Conforme cada personagem e relacionamento são testados, fica claro a variedade de caminhos que as pessoas escolhem – alguns trágicos, outros cheios de esperança – e que ninguém está imune a enorme mudança social que vem através de telefones, tablets e computadores. 

Jason Reitman volta a falar sobre um tema que ele trabalhou maravilhosamente bem em "Juno", o adolescente. O mais interessante é construir as diversas histórias que o filme apresenta nos moldes da comunicação na internet, mostrando o quanto as pessoas estão conectadas e, pior, dependentes do não toque. Até os pais, que teimam ser autoritários quando o assunto é internet, estão nela também, nem que seja para investigar o que andam fazendo enquanto navegam. Aliás, quando um dos meninos - que agora não me lembro o nome mas ele fez o carinha lá em "A Culpa é das Estrelas" - está no psicólogo, conversando que o mundo real, na linguagem dos RPGs, é chamado de "off". E é exatamente isso que está acontecendo, nossa vida real se tornando mais "off" e a nossa casa virtual "on". A comunicação se tornou dependente do afastamento. Há de se imaginar que o sexo, futuramente, será por meio da webcam e tão somente por ela. Você que vai assistir esse filme, faça um comparativo, como eu fiz, entre a juventude atual e a da década de 70/80 mostrada em filmes como "Jovens Loucos e Rebeldes" ou o próprio "Clube dos Cinco"... a diferença é assustadora e, fica entre nós, eu sou bem mais adapto da antiga. Sorte minha que, mesmo dentro das minhas limitações, eu tentei e tendo preservar o toque. 

Para Sempre Alice, 2014


Alice Howland, uma bem-casada mãe de três filhos adultos, é uma renomada professora de linguística, que começa a esquecer as palavras. Ao receber um diagnóstico devastador de Mal de Alzheimer, Alice e sua família terão seus laços testados.

Julianne Moore se deu muito bem nesse ano, provando mais uma vez sua capacidade de atuar exagerado e extremamente calculado, de forma que nunca passa do limite. Provavelmente será indicada ao Oscar e, para mim, mais que merecido. Sua personagem, que é terrívelmente lúcida sobre o que está acontecendo, passa um desespero controlado, de modo que a dor chegue até nós, meros espectadores, que estamos diante de uma rua sem saída, como a própria personagem diz, "aprendendo a perder todos os dias", fica evidente esse sentimento e, tenho certeza, que passar por isso deve ser uma das piores experiências que existem pois, nós, seres humanos, somos e só temos lembranças, abalando toda uma existência de história e conquistas. Excelente reflexão e que gostoso poder se deliciar com a Julianne Moore no auge da maturidade artística!

O Abutre, 2014


Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) é um jovem determinado e desesperado por trabalho que descobre o mundo em alta velocidade do jornalismo sensacionalista em Los Angeles. Ao encontrar equipes de filmagem freelances à caça de acidentes, incêndios, assassinatos e outras desgraças, Lou entra no reino perigoso e predatório dos nightcrawlings - as minhocas que só saem da terra à noite. Nele, cada lamento da sirene da polícia pode significar uma tragédia em que as vítimas são convertidas em dinheiro. Ajudado por Nina (Rene Russo), uma veterana do sensacionalismo sanguinário que se tornou a cobertura de notícias nos canais de televisão locais, Lou ultrapassa a linha entre o observador e o crime para se tornar a estrela de sua própria história.

O ano de 2014 foi maravilhoso para o Jake Gyllenhaal. Tanto em "O Abutre" e "O Homem Duplicado" ele explora o seu potencial ao máximo, mudando conceitos de pessoas que, como eu, nunca levaram esse carinha, cuja carreira começou em "Donnie Darko", muito a sério. Agora digo com certeza que a maturidade atingida por ele e a sabedoria das escolhas dos pepeis, o aproximam da ascensão recente do Matthew McConaughey e, como aconteceu com ele, o Oscar está bem próximo. 

Bem, depois de tanto ouvir sobre "O Abutre", me rendi e fui assistir, não sabendo muito da sinopse, me pego vendo o desenrolar de uma história, que começa um tanto quanto fraca, boquiaberto, com tamanha tensão. A postura do protagonista perante a busca por trabalho, a sua - quase - obrigação em estar sempre em foco, trás um sentimento, no mínimo, chocante. Ele se apresenta para um trabalho, falando com tamanha propriedade que é de se questionar quem é o chefe ali. O que ficará ainda mais claro quando, ao longo, Lou Bloom se mostra um dependente do negócio, ou melhor, da última palavra. Se alguém por algum motivo afeta essa obsessão dele, ele simplesmente monta estrategicamente planos para eliminar algum tipo de poder que possa existir, vindo do outro. O poder parte dele em prol a ele.

Além disso, temos a constante brincadeira com a imagem e informação. Começamos com o fato de que o filme nos apresenta um personagem com um grave problema psicológico, manipulador e, como disse, obsessivo pela última palavra. Ele encontra uma arma muito poderosa no audiovisual, no registro, agora, pensando em cinema, quer mais manipulação que essa? Se bem me lembro, o cinema é uma forma de criar vidas, assim como um Deus. Não só isso, a TV não manipula nosso dia a dia? Desde a edição, passando pela entonação usada para se passar a mensagem, tudo está direcionando a uma postura tendenciosa, em base aos interesses do poder/canal. Sendo assim, Lou Bloom se maravilha com a oportunidade de montar fatos de modo que possam prender a atenção, roteirizando a morte.

O resultado dessa ambição é arrepiante. Uma metáfora sobre a imagem e até que ponto  homem está disposto a se aproveitar para benefício próprio. Uma das cenas mais lindas, quando Lou está no carro com o seu parceiro, ilustra perfeitamente isso, onde o amigo lhe diz: "Você precisa tratar as pessoas como humanos. Ao lado da Rosamund Pike com a sua Amy em "Garota Exemplar", Jake Gyllenhaal constrói um dos personagens mais interessantes do ano.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Para Você(s)




Sou um cara que mora logo ali                                              Você é o carinha que mora logo ali
Como você bem definiu                                                         E eu sou a menininha do telhado
Ansiedade de compartilhar nunca encontrou um lugar          Continue escrevendo!
Então o "ali" define a indecisão de não ficar nem ir              Se motive em motivar
Até que ponto você me conhece?                                          Um pedaço, um lugar
Até que ponto você coroa a pessoa errada?                            Jogado a própria sorte de criar

A poesia me fascina                                                                   Me ensina
O poema me assassina                                                              Minha sina
Se sente ludibriado                                                                    Se entende feliz
Estupefato                                                                                 Com essa cicatriz
Se alguém tentasse irracionalmente destruir sua ordem           De chegar em lugar nenhum
Criar um sentido imediato                                                         E ficar se repetindo
Buscando um sentido com meu desabafo                                 Como uma desilusão
Buscando sensatez na minha insânia                                        Nunca dominar o desejo
Buscando mais um sentir                                                          De se imortalizar

Ei,                                                                                              Oi?
A sós,                                                                                         Está bem
Te admiro sem saber                                                                 Obrigada
Se estou certo em o fazer                                                          Depende
Já nos conhecemos                                                                   Mais ou menos
Há muito tempo                                                                        Será?
Nos entendemos                                                                       Eu sim
Que ai é aqui                                                                             É...
E aqui é ali                                                                               Talvez
Sou um excêntrico                                                                    Sou feminista
Exagerado e carinhoso                                                              Leitora assídua
Um exagero criar sentidos                                                        Um tanto pessimista
Um carinho por saber que você vai ler                                     Te decifrarei, como um agente do CSI
Então, nesse dia especial para você                                          Um dia confuso
Esse é o meu presente. Um brinde!                                          Beberemos vinho? 

Surpreenda-se com a atitude. Renda-se ao amor. Lute contra a diferença. Ps. Sorria. Entregue-se. Conquiste a lua!!!!!!

A Teoria de Tudo, 2014


Stephen Hawking é uma figura que provoca curiosidade, aliás, isso é algo que acontece com vários gênios da ciência, que contribuíram com a história, afim de descobrir a vida que nos cerca. Esse mundo me soa extremamente fascinante e obscuro, fascinante pela mescla de genialidade com obsessão por respostas que, ao meu ver, são irrespondíveis. Obscuro pela minha própria ignorância mesmo, não saberia dissertar sobre elementos químicos ou físicos, mas entendo que há muitos elementos desconhecidos que compõe a vida na terra. Enfim, eu era um dos piores alunos em física. 

Escrevo isso, pois, sempre entendi a física como intocável, quase que impronunciável. O que temos em "A Teoria do Tudo" é uma humanização de um dos maiores físicos que já existiram. Eu acredito que essa bem sucedida experiência se deve ao diretor, James Marsh, que no seu documentário chamado "O Equilibrista", ele consegue humanizar o equilíbrio. Oras bolas, provavelmente nem eu e você iremos passear em uma cordinha em pleno World Trade Center. Mesmo assim, aquela loucura soa provocante, pois enxergamos com o olhar do equilibrista, o homem em questão.

"A Teoria de Tudo" começa bem chatinho, desvia-se por entre o caminho do romance - me lembrando muito aquele "Uma Mente Brilhante" com o Russell Crowe - mas após sabermos da doença motora degenerativa, aliado a atuação maravilhosa de Eddie Redmayne e a própria, como disse acima, curiosidade sobre a vida do Stephen Hawking, temos um filme que prende a atenção muito fácil. Se sustentando em três elementos: A doença, família e ciência. 

A doença consome o seu corpo, mas não sua mente. E fica claro a preocupação do protagonista com tal fatalidade. O doutor explica sobre as limitações que viram a seguir e este questiona prontamente: "E o cérebro?". De modo que ressaltasse que, para mudar o mundo, só precisaria dele. Como se o corpo fosse um sacrifício em prol ao conhecimento.
A família tenta se manter como comum, a esposa resiste ao fato de que precisa se ausentar de toda aquela responsabilidade e, mesmo quando começa a ter um envolvimento com o amigo, não fica o ressentimento, nem do Hawking e muito menos do espectador. O que poderíamos considerar como uma virtude. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ida, 2014


"Ida" novo filme do diretor Pawel Pawlikowski, está envolto do sentimento de busca por descobertas. A personagem procurando a origem e história da sua família é um pretexto para acompanharmos as necessidades de uma inocente em viver experiências. Não a toa, o filme deixa claro o oposto entre a menina e sua tia, que se envolve com vários homens e chama a si mesmo de puta, enquanto a pequena ruivinha, virginal, é classificada como santa.

Estaria, nessa cena em questão, a menina se envolvendo, sem perceber, com o mundo da sua tia? Ou percebendo que, do mundo, ela pouco extraio até então, senão os muros do convento? Bem, o fato é que Anna fora criada pelas madres, em uma vida cercada por regras e proibições, tornando-a uma figura extremamente frágil. Um exemplo seria as inúmeras insinuações da sua tia sobre os seus desejos sexuais. 

A fotografia e o uso de câmera são calculados, é incrível. Começamos e terminamos com um preto e branco maravilhoso ressaltando, entre outras coisas, a limitação de cores que a protagonista tem sobre o meio. Ainda mais, a câmera é posicionada de modo que a garota esteja sempre na parte inferior, como se o mundo/quadros devorassem a sua imagem, em muitos momentos ela é mostrada como se fosse uma criança, com base ao posicionamento da filmagem. Aliás, curiosamente, no ato sexual, que representaria um momento de desprendimento total, é uma das primeiras vezes que vemos Anna no quadro inteiro, simbolizando um domínio sobre o seu próprio corpo/alma/objetivo.

No final do filme ficamos com a sensação de que "Ida" acrescenta ao limite uma oportunidade de ser ilimitado. Desde o querer, até o próprio exemplo. Uma vida de mentiras e sentimentos que servem como base para um "auto descobrimento" onde as coisas julgadas como erradas soam um alívio para essa doce e enigmática personagem. Merece muito as premiações que está e irá disputar, como o Globo de Ouro e Oscar.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Crime


Passeei por entre meus pensamentos neuróticos,
Dediquei-me a proteção de uma felicidade,
Transbordei de palavras nunca pronunciadas. 
Dizeres que saíram correndo por entre pontes quebradas.
Medindo uma existência fútil,
Inocentando um suspeito,
De um crime chamado estar vivo.

- Emerson Teixeira Lima

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sente-se comigo


Venha aqui menino, 
Sente-se comigo.

Está confortável?
Eu sei que sou um velho imundo e cego,
As pessoas tem medo de mim,
Mas por algum motivo senti que você não terá.

Não estarei aqui por muito tempo,
Talvez essa seja a última noite,
Eu tive uma vida maravilhosa menino,
Mas minhas ambições me levaram ao suicídio.

Ignorei aqueles que me amavam,
Me vinguei do oposto e, por isso, colho o fruto do arrependimento.
lembro-me de uma tarde,
Deitado na rede em uma varanda,
Buscando formas de concretizar sonhos banais.

Queria poder ter mais tempo,
Queria poder gritar para o mundo,
O passado é um "eu" muito diferente,
O passado foi realizado por um menino,
Talvez esse tenha sido o meu maior pecado.

Não acredito em Deus o suficiente,
Não acredito em mim,
Não mais.

Como seria se fossemos pássaros?
Como poderia me imaginar longe das ruas?
Ei, caro menino, eu tive uma família sabia?
Hoje é natal não é?
Então, outrora estávamos reunidos, nos divertindo,
Agora estou aqui, sozinho, 
Nessa ponte que necessito chamar de lar.

Então me diga,
Por qual razão você está aqui também?
Existe razão para tamanha distância?
Essas luzes vermelhas,
Essa magia perdida.
Esse arrependimento,
Essa lembrança.

Onde esteve o carinho esse tempo todo?
Por onde anda o controle sobre o que é?
Qual vida você andou vivendo por ai, em?

Ei, pobre garoto,
Eu senti o seu desespero,
Algo sussurrou nos meus ouvidos sobre suas lágrimas.
Me tiraram a visão mas, por um momento,
Eu vi que você queria pular.

Ei, menino,
Estou me lembrando agora,
De um ontem,
Onde eu li uma carta de um garoto.
Ele implorou por paz,
Ao invés de qualquer brinquedo,
E ele me disse que, se eu existisse de verdade,
Que o ajudasse,
Que eu o salva-se.

- Emerson Teixeira Lima

Matar a un Hombre, 2014


"Matar a un Hombre" me despertou a curiosidade desde que soube da sua existência e sucesso em festivais. Ainda mais se tratando de uma produção do Chile. Unido a isso temos um filme com uma temática tensa, baseada em fatos reais, onde a vida e sua fragilidade se resumem no esperado ato de matar, do qual é muito "fácil" executar, porém, desencadeia uma série de reflexões morais.

E o filme peca exatamente por isso, por evitar a tensão e focalizar muito na contemplação daquele ser totalmente inseguro, que tem como motivação proteger a família, mesmo que sua figura se mostre extremamente debilitada, de alguma maneira. O personagem principal surge como um homem apático e submisso desde a primeira cena. Anda meio curvado e, de certa forma, se expõe as provocações dos maginais que o insultam.

Parece que ele não está se importando com nada quando se diz respeito a ele mesmo, só quando as provocações chegam a sua família que ele procura medidas, ou seja, vira o chefe de família, imagem geralmente associada ao homem, aquele que sabe o que faz, toma medidas pensadas para propagar sua imagem de líder. Algo muito bobo, pois realmente, aqui, aliado com a falta de ajuda da polícia, Jorge parece uma formiguinha no meio de uma tempestade de sentimentos, mesmo após portar a arma - cuja importância na narrativa é muito interessante, visto que se torna um instrumento para chegar até a coragem - ele não sabe muito bem o que fazer com o resultado de sua ira. 

O filme não deixa de ter uma proposta interessante, porém a mesma é perdida pela indefinição do roteiro, assim como a infinita indecisão do personagem principal, que não se torna em nenhum momento um thriller, o que seria fascinante. E se atêm em uma contemplação exagerada em cima de um personagem que, desde o início, soa patético. Não cria-se uma identificação com ele, parece que nada importa muito. E, convenhamos, mesmo com a pouca duração ( 1h22m ) "Matar um Homem" é entediante, o que não é um bom sinal.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Frank, 2014


Esse filme é tão insano como o trailer e a sinopse sugere. Baseando-se em uma história, até onde eu sei, verdadeira, de um humorista e cantor, mas não faz desse caso - novamente, até onde eu sei - uma necessidade. Afirmo isso me baseando na minha própria experiência assistindo, visto que senti a obra extremamente completa, mesmo que soe muito incompleto.

O desenvolvimento de alguns personagens falha um pouco, mas ao meu ver só dois devem ser analisados com atenção: Frank e Jon. Não tirando a importância dos demais, pelo contrário, acredito que todos sejam uma extensão de Frank.

Fica claro ao final do filme, perdoem-me por revelar, que Frank tem problemas psicológicos. Tá, beleza. Um ponto interessante do filme pois talvez esse seja o real motivo da banda - cujo nome é impronunciável - ser de extrema entrega a sua arte, mesmo que confusa. Isso se deve a falta de comprometimento de todos com o crescimento da própria, o que se desconstrói com a chegada de Jon que, no início, parece ser simplesmente o menino tímido que louvara aquela nova situação mas que, aos poucos, vai tomando o papel de vilão para si. 

Jon é envolto de uma inocência, o espectador entende isso pois, desde o começo, ele se apresenta como um viciado em compartilhar sua vida na internet, que virá a ser a ferramenta usada para a divulgação dos "bastidores" da tão orgânica banda. O problema é que, como já citado, o perfeccionismo existente em Frank é tão grande quanto sua cabeça. Ele funciona de uma maneira diferente, é um veículo para a aceitação perante o mundo/palco. Aliás, o seu palco é o ensaio, pois é perceptível que a ideia de um show se apresenta como extremamente distante do seu querer.

Jon é o meio termo entre a loucura-insana-provocante-genial de Frank e a lucidez de um mundo ávido por música, o problema é que, hoje, há uma banalização da mesma, onde obras fantásticas e viscerais dão vez a lixos em forma de áudio. Até onde a sociedade aceita, aliado com o sucesso, que o musico produza aquilo que quer?

Outro questionamento, qual é a separação entre loucura e genialidade? Pois me parece não haver muitas senão a entrega. Fatores físicos ou emocionais não alteram o dom de desabafo, seja qual for o veículo que será utilizado para entregar a mensagem. No caso de Frank, este ser poderoso com o cabeção e extremamente perdido sem, ele exprime suas emoções conflituosas em melodias bizarras, aliando-se a outras mentes perturbadas que, esses sim, representam em forma humana as necessidades de Frank. E ele ama todos eles.

"Entregue-se à sua insanidade"

Chuva part. 2


O frio é a personificação climática do amor,
Tanto quanto a chuva é do ciclo,
Ela traz as impurezas com a pureza do seu mundo,
Adaptando um agora,
Sem pressa para esquecer,
Um tempo passado, 
Que passou depressa.

Fecho os olhos e sinto a chuva,
Que mandou embora o João de Barro,
Invadiu o seu lar,
E relembrou de histórias que não viveu,
Que se perdeu.

Nobre soldado,
Segura em suas mãos repletas de sofrimento,
O barro de João.
Enquanto afirma com propriedade:

- O sonho da Sininho é ter um tamanho normal para poder abraçar o Peter Pan.

Soldado, cujas feridas ainda estão expostas,
De tanto amor,
Quase foi morto,
Mas percebeu que todo sofrimento por amor, no fundo, tem prazer.

Estamos envoltos da arte,
A partir dela fomos criados, 
E é por ela que vivemos,
Por ela morreremos.

Não consigo separar mais a pessoa,
Da arte que produz,
Talvez seja pela visceralidade,
Pois a arte começa no olhar,
Passa pelo diálogo,
Termina na fé.

Como a chuva,
Um ciclo que produz intermináveis sentimentos que não podem ser expostos.

Só os teus olhos me veem,
Só você me cria,
A sua imagem e necessidade.
O meu bem querer,
Se torna suas provocações.

A sensatez domada,
Se dissipa,
Com a loucura de um abraço confortável.
Lucidez de um beijo carinhoso,
Por entre um agora inapropriado.
Deixe-me sentir o exagero,
Deixe-me querer não te querer.
Deixe-me te ensinar a me ensinar,
Passando adiante,
Por entre encontros imperfeitos.

Contigo, pouco é infinito,
Infinito é amor,
Amor é olhar.
Enfim, tudo faz um enorme sentido e, ao mesmo tempo, nenhum.

Que a chuva me adapte a felicidade de ter você comigo,
Que a chuva me acostume a ser ofuscado pelo seu brilho,
Que a chuva me entenda,
Que eu não quero muito,
Que a chuva me traga,
Nós.

Somos-a-chuva.

- Emerson Teixeira Lima

sábado, 13 de dezembro de 2014

Boyhood - Da Infância à Juventude, 2014


Seria interessante já começar citando a importância que a "Trilogia do antes", composta por "Antes do amanhecer", "Antes do Pôr-do-Sol" e "Antes da meia-noite", assim como o diretor Linklater com o também sensacional"Waking Life", tem na minha vida.
As vezes eu fico me questionando se assistir filmes de romances me prejudicou de alguma maneira, pois vivo acreditando em doses de coragem ou momentos loucos, enquanto que na realidade isso não é muito recorrente - quase nunca. Será que é infantil demais acreditar que possa existir Jesse(s) e Celine(s), dispostos a se entregar por completo durante um dia?Só um momento. Um agora.

Enfim, aliado a essa aventura que, por si só, permanece distante do que podemos chamar de "real". A forma como é explorado a conversa, o desenrolar dessa história, os momentos, é muito real. Todo mundo que assistiu e gosta do filme lembra dos momentos mais importantes como o primeiro beijo dos protagonistas, aquele poeta lhes interpretando em formas de palavras, a Celine imitando a Nina Simone e dizendo para o Jesse que ele ia perder o voo, enfim, são inúmeras cenas que, olhem só, parece que foram nós que vivemos. E de fato vivemos.

Por acreditar fielmente que Linklater foge das regras do óbvio de "vou fazer esse filme para ganhar um Oscar" eu fiquei animado com "Boyhood" desde que soube da sua existência e a forma de produção, durante doze anos - algo que não é necessariamente inédito, porém igualmente surpreendente - confiei plenamente no senso, que transborda, de realismo e filosofia que o diretor é especialista em colocar no seu filme.

Pronto! Eu, um menino romântico, ansioso por histórias que contenham grandes aventuras ou reviravoltas, encontros mágicos e desencontros trágicos, me pego necessitado, precisando de uma dose de registro real. Uma verdade filmada. E como foi importante acompanhar a vida desse menino que, por muitas vezes sem carisma, transparece a barreira ator, chegando na categoria eu. Seria justo traçar alguns detalhes de sua vida, dos quais eu me identifiquei inteiramente, como a relação com o seu pai, nesse caso por invejá-lo, visto que nunca tive diálogos ou momentos como aqueles, a fotografia, que o menino se interessa muito e causa algumas reflexões sobre a vida universitária e paixões, ficando evidente alguns conflitos internos dele sobre o que ele, de fato, está procurando. Como se por algum motivo fosse maduro ou algo do tipo, isso é ressaltado quando sua namorada, que está terminando com ele, ressalva sua capacidade de ser "melancólico". Enfim, um tanto quanto pessimista. 

E, ainda sobre o quão o filme é sensível quanto a realidade, quase uma documentação da vida. Quando o garotinho pergunta para o pai se existe magia na vida real, este o responde com naturalidade "Porque um Elfo é tão mágico quanto uma baleia no mar". Tentando encontrar um motivo para não olhar ao seu redor, algo que somos obrigados a fazer, com muita maestria e, eu acredito, esse filme ganha o Oscar. Tá, por enquanto não vi muita coisa, mas já estou chutando aqui.

A grande atuação fica mesmo por conta da Patricia Arquette, figura sempre presente nas premiações que está rolando nesse final de ano, e muito merecido. Ainda que, para mim, as cenas de maior impacto - isso não quer dizer que vale indicações, aliás, não estou nem ai para isso - acontecem com Ethan Hawke e seus filhos. Como a última conversa deles, no qual o pai expõe muito o seu olhar sobre o filho, suas oportunidades para o futuro e dá uma aula, em base aos seus próprios aprendizados.
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